COPENE 2026: atuação em rede de pesquisadores negros na Tecnologia cria espaços de avanço epistêmico
Pesquisas de Tecnologia evidenciam relação entre diáspora africana e enfrentamento ao racismo
A Conexão Malunga, iniciativa que debate tecnologia por meio de saberes afrobrasileiros, participou do XIV Congresso Brasileiro de Pesquisadores/as Negros/as (COPENE), em parceria com o professor Deivison Faustino (FSP – USP), o pesquisador Tarcízio Silva (Desvelar) e a pesquisadora Priscila Vieira Bastos (UFRGS).
Mariana Gomes Soares, idealizadora da Conexão Malunga, escreveu junto ao professor Deivison Faustino (FSP – USP) o estudo “Cadeias produtivas digitais e a diáspora afro-brasileira: uma perspectiva angoleira da soberania digital”. O trabalho traça a relação entre o contexto brasileiro e congolês, enquanto territórios estratégicos da economia digital, abordando a escalada de conflitos e políticas de fomento a data centers de Inteligência Artificial. Em breve, disponível no site do congresso.

A pesquisadora da Conexão Malunga também mediou a mesa redonda “Racismo Algorítmico, Colonialismo digital e extrativismo de dados: tópicos para uma agenda epistêmica”, coordenada por Tarcízio Silva, que reuniu os professores Deivison Faustino e Priscila Vieira Bastos. Junto a profissionais multidisciplinares, o debate reuniu aspectos da agenda epistêmica dos estudos de tecnologia, navegando entre aplicações de IA, coleta massiva de dados e vulnerabilidades digitais.

O congresso também foi local de aproximação entre ativistas e pesquisadores que trabalham diariamente com a educação para as relações étnico-raciais na interface com o uso de tecnologias educacionais, com a formação de profissionais das STEM (Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática), e o desenvolvimento de softwares e hardwares. Em comum, as atuações tecem uma perspectiva crítica sobre a tecnologia e dispõem a ciência como ferramenta de transformação social.